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  • Fernanda Braga

A Sorte, O Azar e O Estado Mental

Ontem o dia foi insano, eu já sabia que seria uma quinta-feira quente, vários compromissos cuidadosamente agendados. Pensei milimetricamente na logística para tentar ganhar tempo e economizar a gasolina, que convenhamos, está uma fortuna... Tudo começou a sair do lugar quando eu resolvi ficar dois minutos a mais na cama após desligar o despertador, já deu pra imaginar né? Para resumir, as coisas não deram 100% certo no cartório, no banco deu 0% certo, perdi viagem indo a um órgão público, e a fila dos Correios me fez atrasar para o próximo compromisso, ah! Também fui “vítima” de um fenômeno natural chamado chuva. Aparentemente azar puro. Será?

O interessante é que eu estava tão concentrada no meu plano de atividades que nem me dei conta do que deu certo ou errado, só fui seguindo a sequência programada para o dia. Indo embora, você nem acreditaria na minha “sorte”, peguei todos os semáforos abertos, todos! Aparentemente sorte. Será? Cheguei em casa rapidinho, comemorei por isso e ao tirar a pasta de documentos do carro é que percebi o quanto de retrabalho eu teria para retornar em todos os lugares que não obtive sucesso e foi então que me veio a inspiração de escrever sobre o tema citado acima.

Convenhamos que acordar atrasada e assustada, enfrentar fila, não conseguir resolver pendências, ouvir nãos, pegar chuva, tudo isso em cima de um salto e com cólicas não são movimentos agradáveis, mas, curiosamente foram rapidamente superados com a sensação de não levar nenhuma fechada no trânsito e pegar todos os semáforos verdes. Será que as minhas sensações tinham conexão com a sorte/azar ou com meu estado mental? Estado mental está associado a aspectos do sentir e se comportar, é a capacidade que o indivíduo apresenta em lidar com as diversas situações internas e externas do dia a dia, um direcionador para as escolhas de atuação. Ou seja, não necessariamente o que nos abala ou o que nos anima são os acontecimentos em si, e sim, o resultado do conteúdo interno representado pelo estado mental daquele momento.

Ontem, quando a chuva ficou bem forte, eu precisei tomar uma decisão: descer do carro, me molhar e resolver o que eu precisava ou voltar para casa sequinha mas sem resolver a situação, mesmo odiando me molhar eu optei em descer na chuva, o que no final não me rendeu nada de bom, porque faltou um documento e eu não consegui um resultado favorável, eu estava molhada e com uma atividade pendente, mas eu fiz a escolha que julguei certa naquele momento. Eu saí de casa para resolver problemas, e não consegui sucesso em quase nada, mas eu precisava tentar e as tentativas vem sempre através de escolhas. No meio do meu caminho tinha imprevistos, tinha pessoas com má vontade, tinha chuva e pé molhado, mas no meio do meu caminho também tinham semáforos verdinhos me convidando a seguir em frente e tinha também um estado mental favorável. Não que todos os dias sejam assim, mas ontem foi, e pude olhar para as minhas decisões com orgulho, não deu certo mas eu conduzi meus processos, os que deram certo e os que deram errado, os de sorte ou de azar.

No fim das contas, meu dia se debruçou em decisões, ajustes e paciência em entender que entre a sorte e o azar, seja lá como você interprete essas palavras, existem os intervalos, em que vai predominar o poder da ação do meu e do seu protagonismo no fim de cada dia. Sim, nós somos donos de nossas ações, mas nem sempre conseguimos conduzir adequadamente. Comemore os semáforos abertos sim, se chateie com as filas e com os nãos, mas não deixe nunca de tomar decisões.







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