Buscar
  • Fernanda Braga

Cemitério de Meias

Não deve ser novidade para ninguém que as meias sempre se perdem de seus pares, elas vão unidas para máquina de lavar e saem de lá descompassadas. Eu dou conta de explicar tranquilamente como funciona o sistema solar, mas não saberia explicar o que acontece com as meias perdidas. Diante disso, criei um cemitério de meias aqui em casa, para que um dia, caso uma ovelha desgarrada resolva voltar, eu possa ir até lá e ressuscitar um par. E a inspiração para esse texto veio justamente da experiência de hoje, consegui trazer três pares de volta à ativa, fiquei tão feliz com o retorno delas que isso me fez pensar sobre as perdas, os ganhos e as recuperações.

Sem dúvida 2020 foi um ano muito desafiador, marcado por muitas perdas: muita gente perdeu a vida, quem ficou perdeu entes queridos, muitos perderam o emprego, outros tantos não conseguiram manter seu negócio e talvez tenham perdido sonhos, alguns perderam a fé, outros a saúde, há quem perdeu o casamento, eu perdi a hora vários dias, muitos amigos e pacientes perderam o sono, acredito que todos nós, por motivos diversos, por vezes perdemos a esperança.

Também tivemos ganhos, ninguém poderá negar, grande parte das pessoas passaram mais tempo em casa, ganhando assim mais tempo com a família e intimidade com o lar, ficamos mais solidários, houve um despertar das empresas para a responsabilidade social corporativa, ganhamos criatividade e adquirimos experiência em se reinventar, ganhamos um olhar aguçado para a saúde mental e emocional e sobretudo hábitos de higiene mais rigorosos. Ah, ganhamos alguns quilos também né....

Mas o que eu gostaria de destacar nesse texto são as elaborações e efetivações das recuperações, em um mundo tão consumista e imediatista, poder retomar, consertar e reavaliar se mostrou um caminho de volta essencial. O ano está acabando e temos tantas expectativas em vista. Independente de suas perdas e ganhos dentro desse ano, talvez, esse seja justamente o momento que pede um balanço, que pede possibilidade de equilibrar as vivências e verificações do que de fato está perdido e o que pode ter recuperação. Ressignificação também é uma palavra que cabe bem dentro desse contexto. Que comportamentos podemos abolir? Quais ações podemos refinar? O que eu preciso e quero aprender? E o que não preciso mais tolerar?

Meu cemitério de meias me disse hoje que os encontros são possíveis, mas não o tempo todo. As meias parecem ter vida própria e voltar apenas quando querem, mas na verdade, se olharmos bem de perto, elas só voltam se fizermos nossa parte. Muitas vezes os pares estão lá, jogados no meio de tantas meias avulsas e por algum motivo não consigo enxergar que os pares sempre estiveram ali, mas meus olhos ainda não estavam prontos para enxergar naquele momento. Fiquemos atentos onde estamos jogando luz. Respeite seu tempo, mas não pare de enxergar.

Nós da Paralelamente sentimos pelas suas perdas negativas, vibramos com seus ganhos positivos e incentivamos e desejamos recuperações significativas sempre!

7 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo