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  • Fernanda Braga

Saúde Mental, Saúde Física e Interação Social: Conceitos Pessoais e Profissionais

Em Psicologia consideramos um modelo em que o ser humano participa de uma dinâmica que envolve três fatores: bio/psico/social, falando de cada um deles de forma simplista temos o seguinte esquema:


Biológico: que se refere aos fatores bioquímicos e genéticos


Psicológicos: que se estendem a personalidade, humor e comportamento


Social: apontado por questões culturais, econômicas e familiares


Nos valendo do conceito afirmado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde pode ser definida como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidades”. Dessa forma podemos verificar que somos uma mescla de causas, razões, resultados, emoções e sentimentos. Portanto é válido ressaltar que o cuidado com as questões de saúde emocional, saúde física e rendimento das relações é indiscutível quando pensamos na plenitude e potencial que o ser humano pode e merece alcançar.

Muito cedo o homem descobre seu processo de finitude e então a sobrevivência passa ser uma perspectiva essencial, mas pensar sobre como as questões sociais e psicológica nos afeta é algo recente. E é justamente sobre esses conceitos que pretendemos aqui nos debruçar, principalmente devido as rápidas mudanças e excesso de estímulos pelos quais somos expostos constantemente, sobretudo no fenômeno pós globalização. Está claro que a tecnologia veio para facilitar nossas vidas e nos ajudar nas tarefas diárias, mas será que nossas emoções e nosso cérebro estavam prontos para uma evolução tão acelerada? A resposta vem em números: uma em cada cinco pessoas no Brasil apresenta algum tipo de transtorno emocional; aumento alarmante de afastamentos no ambiente de trabalho devido diagnóstico de depressão; CID F aumentando gritantemente nos atestados médicos apresentados às empresas; episódios como síndrome do pânico e crises de ansiedade se tornando cada vez mais frequentes em unidades que atendem urgência e emergência.

Pensando do ponto de vista de manutenção da vida, sobretudo em meados do século XIX a necessidade de ter um trabalho remunerado não é mais visto apenas como ‘trazer comida para mesa’, o homem aos poucos foi percebendo que só isso não bastava para suprir suas necessidades, que agora também se estendem aos âmbitos psicológicos e sociais, e nota-se a modificação do conceito de que o trabalho se volta apenas para sustentação do corpo. O trabalho passa a alcançar percepção de realização profissional, de reconhecimento, da conotação de produtividade social, ou seja, a concepção de que seu trabalho é exercido de forma útil à sociedade. O homem se modificou, as formas de trabalho ganharam outros contornos e com isso, o modelo de se relacionar também passam a ter um novo olhar, e em decorrência de tudo isso, passamos por inúmeras variações nos ambientes de trabalho.

Não apenas o trabalhador teve que entender que sua profissionalização e seu relacionamento são essenciais para conseguir e manter um bom cargo dentro das Companhias, mas também as empresas passaram a verificar a importância de considerar a integralidade do colaborador. Se atualmente apenas a graduação não é suficiente para uma boa colocação no mercado de trabalho, benefícios como vale alimentação e convênio médico também passam a não ser requisitos fundamentais para atrair e reter talentos. Mais do que nunca, pessoas estão interessadas em sentirem-se valorizadas, percebidas e ouvidas. O mais impressionante é que as empresas vem percebendo que não precisam de muito para incentivarem e manterem um ambiente emocionalmente saudável, muitas vezes criar um ambiente positivo, incentivar a busca pelo lazer e atividades físicas, oferecer programas voltados à saúde mental, incentivar gestão humanizada, são passos assertivos que trazem incrível resultado produtivo e o custo/benefício se apresenta com menores índices de atestados, com aumento do engajamento e produtividade e com colaboradores que sentem orgulho em fazer parte da Organização. Pesquisas indicam que na maioria das vezes as pessoas são contratadas devido suas habilidades técnicas e aproximadamente 87% são demitidas por desvio de conduta comportamental, o que nos mostra a importância de saber relacionar-se.

O ajuste entre razão e emoção são vitais para a sobrevivência emocional, não só na vida pessoal mas também na vida profissional e talvez esse seja justamente o desafio dessa geração. Precisamos falar sobre tudo isso, pensar com a cabeça aberta para novos ângulos e novas ações. Para novos tempos, novas dinâmicas, vamos nos permitir!

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